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quinta-feira, 27 de maio de 2010

A Calma de Carlos Queirós


Vou pegar nas palavras que o actual seleccionador nacional disse ao Mais Futebbol no final do nulo com Cabo Verde: «Nestes jogos ninguém vai entrar a matar». Eu até concordo mas penso que nem que entrassem não iriam conseguir matar ninguém! Bruno Alves ainda tentou uma das suas entradas "a matar" mas o máximo que conseguiu deve ter sido arrancar um "ai" ao jogador cabo-verdiano. Além disso ouvi dizer que o valor que cada um pagou para ver aquele demasiado amigável jogo de futebol (?) rondou os 25 EUR, valor perfeitamente acessível, não se compreende aliás porque é que ainda haviam lugares vazios no modesto estádio do complexo desportivo da Covilhã.


Tenho reparado particularmente na calma de Carlos Queirós, tanto nas vezes que aparece em público e fala sobre os trabalhos da selecção, como na reportagem passada há pouco tempo pela RTP, onde se viu algum do trabalho diário que os elementos das quinas fazem quando estão a "trabalhar". O que vi nessas imagens foi realmente motivador, Carlos Queirós comodamente sentado numa cadeira com uns papeis diante dele, pedia que lhe passassem os jogos do Eduardo (guarda-redes), ao mesmo tempo que quase se queixava das costas ao mover-se na cadeira. Lá ficaram atentos à tela durante uns minutos... Entretanto volto a olhar para a TV e vejo a cara do seleccionador nacional que mais parecia a de alguém que tinha acabado de acordar, quando o mesmo diz: «5 minutos para um café». E lá saíram todos da sala.

Ora, juntando este árduo trabalho ao resultado do jogo e às palavras de Queirós após o jogo só posso concluir uma coisa: a selecção está de facto motivada e não há como um líder com garra, motivação e vontade nítida de vencer para provar isso!

PS - Óh Zé! Mostra lá ao Real Madrid como é que se ganha e anda treinar esta selecção porque já vi que temos de esperar mesmo por ti para ver Portugal ganhar alguma coisa...

sábado, 22 de maio de 2010

Ser do contra

Ser do contra, em Portugal, tem o que se lhe diga. E ser do contra, na politica portuguesa, ainda mais. Com efeito, ser do contra é apontar, é ser desmancha prazeres, é ser picuinhas, mal agradecido, ter memória curta, recorrer a palavras simples, pouco substanciais mas de grande impacto, é dizer “Foi ele” ou “A culpa é dele”. É nomear o adversário cerca de 6 vezes a cada 1 minuto de discurso na Assembleia da República. Em Portugal não existe o que chamamos de “oposição”. Existem, sim, partidos que são do contra. O que é algo bem distinto, senão vejamos: ser da oposição é ser a outra face da moeda. Não da mesma moeda mas de uma outra, preferencialmente de cunhagem superior. Ser da oposição é propor alternativas, é inovar, é dar um passo mais à frente, é antecipar, é ter visão estratégica. Ser do contra é ser o lado enegrecido da face da moeda, muitas vezes de cunhagem inferior, é fazer publicidade gratuita ao adversário, nomeando-o vezes sem conta, é denegri-lo, apontar defeitos num espelho baço e ficar sentado à espera que o adversário faça algo e depois levantar-se para exclamar, superlativamente, que aquela camisa não lhe ficava nada bem. O que é que temos, de facto, em Portugal? E que deputados se formam no nosso país? O que é que se aprende sobre a oposição numa visita à Assembleia da República? Vimos embora com um bloco de notas cheio de rabiscos, traços de quadrados e triângulos, linhas sem nexo, espelhos de “estou quase a adormecer mas não quero”. Ser da oposição, em Portugal, é ser previsível. O que é quase um insulto pois não há ninguém que consiga fazer melhor. Ou que se proponha a fazer melhor. Assistimos tantas vezes ao jogo do gato e do rato que, sinceramente, os desenhos animados do Tom & Jerry acabam por se tornar mais apelativos.
Actualmente, começo a vislumbrar alguns laivos de oposição em Portugal, nomeadamente através do actual líder do PSD. A proposta que eu mais gostei foi a de fazer participar os desempregados em projectos de voluntariado de índole social. Parabenizo esta iniciativa. É daquelas que, depois de ouvir, questionei: “Mas porque é que não se pensou nisto antes?”. Quanto aos outros partidos, não tenho nada a dizer. Porque eles nada têm a dizer aos portugueses. A não ser aquilo que eles já sabem. O que se torna tremendamente enfadonho, uma pastilha elástica indolentemente colada debaixo do tampo da mesa. E já viram a quantidade de pastilhas que existem escondidas na mesa da politica portuguesa? Vão lá ver, a sério. Quem for limpar a mesa, meu Deus, irá deparar-se com uma tarefa jurássica. É que ser da oposição dá trabalho, lá isso é verdade.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Da visita do Papa

Sou católica. Não trabalho na função pública. Logo, não irei usufruir da tolerância de ponto aprovada pelo governo aquando da visita do Papa a Portugal, no próximo dia 13 de Maio. As escolas irão encerrar nesse dia. Os hospitais, tribunais e finanças irão, segundo dizem, garantir os serviços mínimos. Isto para poderem assistir às missas conduzidas por Bento XVI. Entre nós: esta tolerância de ponto justifica-se mesmo? Todos têm direito a praticar a sua ideologia religiosa mas em que medida é que trabalhar é incompativel com a visita do Papa? Tolerância de ponto para assistir à missa? Quanto tempo é que dura uma missa? Não me digam que é um dia inteiro! Com tantos feriados, com a situação económica que o país atravessa, como é que nos poderemos dar a este luxo? Para agradar a quem? A Igreja Católica aprova? Pois aprova. Sabemos que ela própria necessita de limpar a sua imagem depois das sucessivas noticias de casos de pedofilia. E quem é que
paga ao país esta tolerância de ponto? A Igreja Católica? Não me parece. "Ah, e tal, mas é só um dia". Sim, a acrescentar a tantos outros, entre feriados, pontes e greves, façam as contas e vejamos quantas horas de
trabalho somamos ao final de um ano. "Ah, e tal, querias era também uma tolerância de ponto!". Pois, por acaso queria, mas por mérito. Ou se acontecesse algo de extraordinariamente incomum. E a visita do Papa, com todo o respeito que merece, não se enquadra na definição de acontecimento excepcional. Porque o Papa, representando a fé católica, está em todo o lado, em qualquer momento. Correcto?
Excepcional seria aproveitarmos a visita do Papa para difundir valores tão importantes como a familia, o respeito pelo próximo, a solidariedade, a verdade, o amor, o trabalho, entre outros, valores esses tão esquecidos nos dias que correm. E, sobretudo, depois da visita do Papa, continuar a regar esses mesmos valores, todos os dias. E não apenas quando nos lembramos ou quando alguém se lembra de tirar um dia para pensar nestas questões triviais. Ou não...depende da consciência de cada um.